Marcha de abertura do Fórum Social Temático reúne cerca de 15 mil pessoas em Porto Alegre

_MG_2795O trajeto foi o mesmo percorrido muitas vezes nos últimos 15 anos, desde o primeiro Fórum Social Mundial. Ativistas, integrantes de movimentos sociais, políticos e simpatizantes das mesmas bandeiras encheram outra vez o trajeto da Avenida Borges de Medeiros, entre o Largo Glênio Peres e o Largo Zumbi dos Palmares, pedindo por um outro mundo possível. Foi assim a abertura oficial do Fórum Social Temático no final da tarde desta terça-feira (19).

Segundo a Brigada Militar a Marcha reuniu entre 10 mil e 10,5 mil pessoas. Já os organizadores do Fórum estimam que o público ficou entre 15 e 20 mil pessoas. Para ter uma dimensão da extensão da Marcha: quando os primeiros participantes já desciam o elevado da Borges em direção a Avenida Loureiro da Silva, ainda havia movimentos parados na região da Prefeitura esperando para seguir a caminhada.

As bandeiras traziam as mais diversas causas. Algumas pediam a descriminalização do aborto e da maconha, outras se manifestavam contra o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff e contra o aumento de passagens de transporte coletivo. Havia cartazes pregando que se buscasse Jesus sem depender de “igrejas” e cartazes pedindo “Palestina Livre”. Uma campanha organizada por sindicatos, enfeitou o Viaduto Otávio rocha, na Borges de Medeiros, com lençóis brancos – como fantasmas – para chamar a atenção para a questão do assédio moral em ambiente de trabalho.

Um grupo de indígenas kaigang, entre eles um garoto de 2 anos, marcharam lembrando o assassinato do pequeno Vitor, ocorrido no final do ano passado no litoral de Santa Catarina. Os indígenas lembravam ainda sua luta contra a PEC 215 e a marginalização de seu povo à espera da demarcação de terras.

Houve também protesto político dos integrantes da Marcha. Os gritos eram dirigidos ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, pela sua saída, e à presidenta Dilma pedindo que ela rompa com o PMDB, partido de seu vice Michel Temer.

Duas mulheres foram atingidas por ovos atirados dos prédios acima do viaduto. Elas disseram não ser integrantes de nenhum movimento social, se identificaram como simpatizantes do Fórum. Fora isso, a Brigada não registrou nenhum incidente durante a movimentação

A primeira faixa da caminhada veio carregada por integrantes do Comitê do Fórum Social Mundial e dos mais diversos movimentos sociais que o compõe. Na segunda, estiveram presentes autoridades como o prefeito e o vice-prefeito de Porto Alegre, José Fortunati e Sebastião Melo, respectivamente, a deputada federal Maria do Rosário, o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, o ex-prefeito da capital, Raul Pont, entre outros.

Os 15 anos do Fórum

Olívio Dutra, que na época da criação do Fórum Social Mundial era governador do estado, não largou a faixa que defendia a democracia. Ainda que seu nome esteja marcado no início do FSM, Olívio prefere não levar créditos. “O Fórum é um movimento da sociedade civil do globo, não é da burocracia de governos locais, mundiais, menis um ciclópio de sábios. Ele serve para fazer uma reflexão sobre o mundo em que vivemos com suas dores e problemas, para buscar a possibilidade de um mundo de paz e com democracia efetiva”, disse.

Olívio destacou ainda que, nos últimos 15 anos, muitas coisas aconteceram graças ao Fórum Social e as reflexões colocadas nele. Porém, como o capitalismo ainda pontua o sistema internacional e a conjuntura é de crise – com a questão de refugiados e imigrantes, guerras, destruição da natureza – é preciso “continuar a enfrentar o mundo de baixo para cima”.

“O Fórum se torna cada vez mais necessário. Pensar um mundo novo é cada vez mais importante, está longe de ser uma ideia defasada. É evidente que isso também exige uma autocrítica, que o Fórum também se reavalie”, concluiu.

O ministro Miguel Rossetto, em entrevista a jornalistas depois da Marcha, ressaltou a resistência do Fórum “diante de uma agenda anti-democrática”. “Os 15 anos do Fórum foram um período de conquistas importantes, no Brasil e na América Latina. O FSM segue abrindo espaços de construção, impulsiona vitórias políticas e abre ciclos de agendas sociais”, afirmou ele.

Com a chegada da Marcha, representantes de movimentos sociais e Carminda MacLorin, integrante do Fórum Social Mundial 2016, de Montreal, participaram de um ato político com algumas falas públicas.

Depois, o show de abertura do Fórum Social Temático deu início a agenda cultural do evento. No palco, o músico Nei Lisboa, Moysés do Hip Hop e Rock de Galpão foram as atrações.

 

 

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